12/10/2008 21:05

Aqui o direito à propriedade está acima do direito à vida

Da mesma forma que o combate à escravidão contemporânea tem sido ponta-de-lança para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores rurais (ele pressionou pela ampliação da estrutura de inspeção do trabalho e de punição de infratores, o que é util a toda a sociedade, por exemplo) a defesa dos empresários que utilizam esse expediente tem servido de bandeira para a manutenção do status quo no campo.

Um caso emblemático é o da proposta de emenda constitucional número 438/2001 que prevê o confisco de terras em que trabalho escravo contemporâneo for encontrado. Ela pretende ser um acréscimo ao artigo da Constituição que já contempla o confisco de áreas em que são encontradas lavouras de psicotrópicos – como maconha. O projeto está tramitando há anos no Congresso Nacional, mas não há previsão para que seja aprovado devido à pressão de representantes do setor agropecuário no Congresso, a chamada "bancada ruralista". Anteriormente à votação no plenário, ao passar pelas comissões na Câmara, a proposta recebeu severos ataques, tendo à frente os então deputados Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Kátia Abreu (DEM-TO).

Por mais que a proporção de empregadores que utilizam trabalho escravo contemporâneo seja pequena diante do universo de produtores rurais, esses representantes políticos são contrários à proposta. Pois, para eles, o que está em jogo é a propriedade da terra, considerada inviolável por parte dos seus representados - os proprietários rurais. A sua manutenção e concentração é condição fundamental para possibilitar o negócio agropecuário, pois, além de ser capital, é o locus onde se produz riqueza através do trabalho. A "PEC do Trabalho Escravo" é, pelo ponto de vista de membros da classe ruralista, um risco à sua própria existência e, portanto, lutar contra a sua aprovação representa mais do que manter a exploração de formas não-contratuais de trabalho.

Só assim, no campo simbólico, é que se pode compreender a importância do trâmite dessa proposta por ambos os lados da questão. Pois sabemos que a aplicação da lei - como todas aquelas que dizem respeito aos direitos de trabalhadores - encontraria várias dificuldades nos tribunais. A referência para essa previsão é o que já acontece com o confisco de terras em que forem encontradas plantações de psicotrópicos.

A análise do comportamento das entidades de classe aponta para a mesma direção. Apesar de a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) repudiar oficialmente a utilização desse tipo de mão-de-obra, as suas intervenções públicas nesse campo têm se dado no sentido de deslegitimar situações encontradas pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego nas propriedades rurais. Ou seja, a instituição, que faz parte da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, não nega a necessidade de que a escravidão contemporânea seja erradicada, defendendo isso inclusive em suas publicações, mas afirma que os agricultores e pecuaristas não utilizam esse expediente. Um triste, mas compreensível, paradoxo.
enviada por Sakamoto



10/10/2008 18:04

Escravidão e agronegócio são tema de debate em Brasília

Brasília - Foi realizado, na tarde desta terça em Brasília, o seminário “Diálogo Institucional sobre Estratégias de Combate ao Trabalho Escravo”, organizado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República. O objetivo do encontro - que reuniu as entidades da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, e ministros das áreas do Trabalho (Carlos Lupi) e Direitos Humanos (Paulo Vannuchi) e o secretário-executivo da Agricultura (Silas Brasileiro), além da diretora da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, Laís Abramo – foi de ampliar o diálogo sobre o combate ao trabalho escravo com o setor agropecuário. Nele estão localizados a maior parte das mais de 31 mil libertações de escravos realizadas no Brasil.

Como membro do Comitê Gestor do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, fui convidado a apresentar como esse crime está inserido na economia brasileira e como as empresas vêm combatendo o problema. O Pacto Nacional hoje conta com cerca de 160 empresas e associações comerciais (cerca de 20% do PIB) que se comprometeram a atuar em suas cadeias produtivas. É claro que nem todas fazem a lição de casa como deveriam. Outras empresas, mesmo alertadas sobre problemas em suas cadeias produtivas, negam a se mexer. No Brasil, por exemplo, um ramo que está devendo ação é o do setor automobilístico, que não tem como comprovar que não usa mercadorias fabricadas com trabalho escravo. Mas há fortes avanços, em cadeias que vão do etanol até o aço, do algodão ao babaçu.

Até a criação do Pacto, o sistema de combate ao trabalho escravo não havia envolvido o setor empresarial, que tornou possível o combate à escravidão através do seu viés comercial. Com isso, a sociedade pode atingir quem lucra restringindo a liberdade de outros.

Estiveram presentes do lado empresarial representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), do Instituto Carvão Cidadão, ligado às siderúrgicas da região dos Carajás, e da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária. A conversa foi importante pela presença de um alto representante do Ministério da Agricultura. Isso pode significar um envolvimento maior desse setor do poder público nesse tipo de articulação.

O que é sempre bom, pois há entidades de classe ligadas ao agronegócio que refutam a existência de trabalho escravo, apesar das provas ao contrário.

Foi sentida a ausência de entidades relevantes, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), que congrega os maiores frigoríficos do país. Ela participa de outros fóruns de responsabilidade social empresarial, mas não veio nem deu sinal de vida no encontro desta terça. O que é uma pena, uma vez que a pecuária ainda é o setor que utiliza trabalho escravo no país e é o principal vetor de desmatamento da floresta Amazônica.
enviada por Sakamoto



10/10/2008 09:41

Estupro e meias-desculpas

Quando li o texto publicado na revista Trip, em que um estuprador pedia desculpas à sua vítima, pensei que era uma brincadeira de mau-gosto ou mesmo um relato ficcional veiculado para testar como seriam as reações humanas - ou seja, um bizarro experimento antropológico. Contudo, creio que a revista na tentativa de "chocar a sociedade" tenha simplesmente feito uma burrada fenomenal, passível inclusive que questionamento judicial.

Para explicar melhor o caso, puxei, abaixo, o post do blog Viva Mulher sobre o texto da Trip. Se quiserem ler o texto, o link está no final, mas adianto que é de causar espanto. A pergunta é: quanto tempo a revista vai demorar para criar uma desculpa do tipo "era brincadeira?" ante à avalanche de reclamações.


“Espero que para você a memória daquela tarde não seja tão ruim e que você hoje possa rir do que aconteceu.” A frase é de homem adulto. Se dirige a uma mulher, que talvez nem esteja viva. Há mais de 30 anos, quando ainda era um adolescente, ele obrigou-a fazer sexo.

O mês de outubro foi o escolhido para pedir “desculpas” à vítima e o veículo, uma revista de circulação nacional. O narrador em primeira pessoa é bastante famoso, trata-se de um cineasta.

Antes de tudo, vamos lembrar que estupro é crime. No Brasil e em qualquer outro lugar. É um ato de violência absurdo que deve ser denunciado e condenado, para que nunca mais se repita.

O autor do dito artigo perdeu algumas chances na vida. A primeira – e que deveria ser a única – foi a de não ter forçado a empregada doméstica de seus pais a manter relações sexuais com ele. A segunda, a de ter assumido sua ação, vergonhosa, e todos os seus ônus.

Mas não. Escolheu expor a situação de forma tardia e pública, sem qualquer reparação concreta. Talvez uma maneira de limpar a própria consciência. Afinal, é só ela que atrapalha o sono quando encostamos a cabeça no travesseiro à noite. O “resto” – a mulher, o crime etc – não importa.

“Não foi bom, Luisa. Na hora do vamos ver fiquei envergonhado e não rolou legal”. Por que será, caro narrador? E continua: “Lembro de poucos detalhes. Você não queria, mas por força da nossa insistência acabou cedendo. Sinto ódio do Brasil quando penso que você provavelmente tivesse medo de perder o emprego”.

Ahá, tudo explicado! De fato, a culpa é do Brasil. Esse país tão sórdido, tão injusto. Deve ser por isso que o tal cineasta não mora aqui. E que todos os comentários postados pelos leitores dessa matéria sejam em repúdio a ele.

Caso você queria ler a carta de Henrique Goldman, clique aqui.

PS: No final do texto, a revista explica que o cineasta "tornou-se mais jeitosinho com as mulheres ao longo dos anos".
enviada por Sakamoto



05/10/2008 23:32

Errar é humano. Ainda mais se você for jornalista

É duro trabalhar com informação. Mesmo carregado da melhor das intenções, a gente escorrega. Que atire a primeira pedra quem nunca deu “barriga”, expressão usada na profissão para as comidas de bola.

Mas vale lembrar que o erro jornalístico não é menos grave que o erro médico. Ele também mata e, além disso, destrói reputações (os donos da Escola Base que o digam), gera guerras, derruba governos. Por isso, temos que procurar diminuir a quantidade de erros. E sabendo que eles sempre vão existir, torna-se fundamental o veículo ter uma política para reconhecê-los abertamente e corrigi-los assim que possível.

A Folha de S.Paulo fez um erro grave nesta semana e tentou corrigi-lo. Segue abaixo parte do texto do jornal que “reconhece” a falha. Ele devia ser chamada de capa, pois a matéria original que trouxe o problema também foi, contudo ficou restrito à página 18.

Infelizmente, o texto na versão digital do jornal estava incompleto e tive que preencher as lacunas usando a versão impressa (em itálico). Por exemplo, uma frase que foi cortada na versão para internet foi “A reportagem voltou a ouvir a fita ontem, e, apesar da fala rápida de Correa dificultar a audição do trecho, constatou que esse “não” de fato não foi dito por ele”. O "não" em questão é o cerne do problema. Seria melhor que o jornal tivesse assumido o erro mais claramente do que culpar a dicção do presidente equatoriano. Bem, torçamos para que os ânimos exaltados entre os dois países não piorem por causa disso.

Por fim, para que possamos rir da nossa própria desgraça, sugiro a antologia de erros da Folha de S.Paulo disponível na Folha Online. Dentre as antológicas, está a célebre constatação de que Jesus não foi enforcado e sim crucificado…

Uribe reage a Corre e cancela ida a Equador
Erro da Folha em transcrição de entrevista de Rafael Correa é apontado por governo equatoriano como pivô do novo abalo bilateral

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciou que não irá à reunião da Comunidade Andina (CAN), no dia 14, em Guayaquil, no Equador, em reação a declarações "ofensivas" feitas pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, em entrevista concedida à Folha publicada na última quinta-feira. Em reação, a Chancelaria do Equador apontou ontem à tarde um erro na transcrição da entrevista como pivô da crise bilateral que foi confirmado pela Folha.

Na entrevista,quando questionado se considerava superada a crise com a Colômbia, iniciada com o ataque colombiano a uma base das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador, em 1º de março, Rafael Correa disse, segundo a transcrição de seus assessores: "(...) houve uma clara agressão deliberada, desleal ao território equatoriano não por parte de um país que consideramos irmão, mas de um governo que considerávamos amigo".

No mesmo trecho publicado pela Folha, foi incluído um "não" que mudou o sentido da frase: "(...) há uma clara agressão deliberada e desleal ao território equatoriano por parte de um país que consideramos irmão, porém tem um governo que não consideramos amigo”. A reportagem voltou a ouvir a fota ontem, e, apesar da fala rápida de Correa dificultar a audição do trecho, constatou que esse “não” de fato não foi dito por ele.

Na nota, a Chancelaria equatoriana diz que “comunicou a reclamação aos meios de comunicação responsáveis”, mas a Folha não recebeu nenhum pedido de retificação até o fechamento desta edição.
enviada por Sakamoto



01/10/2008 18:08

Boi em alta, saúde em baixa: ação pede R$ 3 mi a frigorífico

O Ministério Público do Trabalho no Mato Grosso do Sul está movendo uma ação civil pública no valor de R$ 3 milhões contra o frigorífico Marfrig, um dos maiores do país.

De acordo com o procurador do Trabalho Heiler Ivens de Souza Natali, responsável pela ação, um acidente que resultou na morte de um trabalhador levou a uma inspeção na empresa, que constatou negligência do frigorífico com a saúde e a segurança dos trabalhadores, além de jornada exaustiva.

Segundo o MPT, o médico do trabalho da empresa era, na verdade, um ginecologista. Além disso, para a contratação dos empregados, estava sendo exigido um atestado de antecedentes criminais, o que configura discriminação. Foram apreendidas advertências assinadas em branco por empregados, o que é considerado ato de coação moral.

De acordo com depoimento do procurador em nota do MPT, “apesar de todas as irregularidades constatadas, a empresa ostenta em seu ‘Código de Ética’ uma série de compromissos e preocupações com a saúde, o bem-estar e a segurança dos seus empregados. Pelo que foi constatado na unidade de Porto Murtinho, esse Código de Ética se aplica melhor aos animais que a empresa abate do que aos empregados que a empresa, aos poucos ou de uma vez, como foi o caso de Valdecir [o empregado morto], acaba abatendo”.
enviada por Sakamoto



30/09/2008 19:37

Este é um país que vai pra frente. Hô, hô, hô, hô hô...

Um amigo, jornalista e bastante ácido nos seus comentários, me mandou esta matéria do jornal Folha de S. Paulo, que publico abaixo de forma reduzida. Para ele, a história seria cômica se não fosse trágica. “Você pode votar em um sócio ou no outro da mesma madereira. O que se devia fazer com um município de gaúchos, paranaenses e catarinenses cortando madeira na Amazônia?”

A ditadura militar (que o capeta a tenha, embalada em sonho eterno) abriu os braços para a entrada de empreendimentos agropecuários na região nos anos 70. Hoje, os tempos são outros, as leis também. O estado de direito não aceita mais (pelo menos no papel) a farra de antes. Porém, tem muita gente que não percebeu isso e continua botando tudo abaixo em nome do progresso, vivendo sob a sombra da Gloriosa. Os sócios-madeireiros-prefeituráveis são um exemplo. Quem compra desses produtores sem se preocupar com a origem dos produtos também. O Estado que faz vistas grossas idem.

Defesa do desmatamento une candidatos madeireiros

Os dois candidatos a prefeito de União do Sul (MT) são madeireiros e defendem na campanha a ampliação do limite de desmatamento na Amazônia, onde o município está situado. Candidato pelo DEM, Antonio de Matia, 59, o Ico da MM, diz ser sócio de seu adversário Ildo Ribeiro de Medeiros (PMDB), 43, em uma madeireira em Moraes de Almeida (PA).

Os dois candidatos dizem que "só 14% das matas foram abertas" no município. Eles querem que o governo federal autorize desmatamento de até 50%. Atualmente, o limite é de 20% no território amazônico. O próprio prefeito admite ter praticado ato ilegal, ao desmatar ao menos metade da área de sua fazenda.

Medeiros e o prefeito dizem que a saída para o município é o desenvolvimento da agricultura nas áreas a serem abertas. União do Sul tem 4.581 km2, quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Atualmente, o município ainda vive das indústrias da madeira. São 20 empresas instaladas. A cidade chegou a ter 60 madeireiras, mas, segundo o prefeito, as ações de fiscalização reduziram o número de empresas. O principal golpe foi a Operação Curupira da Polícia Federal, em 2005, contra madeireiras fantasmas.

enviada por Sakamoto



29/09/2008 13:00

Trinta crianças são libertadas da escravidão no Pará

Uma ação de fiscalização de trabalhadores do governo federal libertou 150 pessoas em Placas (PA), dentre elas mais de 30 crianças. O município fica na "Terra do Meio", no coração do estado, região que está sofrendo o impacto da expansão agrícola e da baixa presença do poder público para efetivar os direitos fundamentais. A operação, que começou no dia 17, contou com a participação do Ministério do Trabalho e Emprego, da Policia Federal, da Policia Rodoviária Federal e do Ministério Público do Trabalho.

Eles estavam sujeitos a condições degradantes de habitação, alimentação e higiene. De acordo com a Superintendência Regional do MTE no estado, a maior parte das crianças estava doente, com leishmaniose ou úlcera de Bauru. “As crianças eram levadas ao trabalho para aumentar a remuneração, se sujeitando a todo tipo de situação. Tanto é que uma delas perdeu a visão por conta de uma queda", afirmou o chefe da fiscalização do Pará, José Ribamar Miranda da Cruz.

Os libertados, que atuavam na lavoura de cacau, já começacam o serviço devendo aos empregadores por terem que pagar equipamentos de trabalho e bens de necessidade básica. De acordo com as informações colhidas pelos fiscais, quem não cumpria as determinações dos patrões era ameaçado de morte.

Até agora, o montante estimado de direitos trabalhistas e salários a serem pagos aos trabalhadores está em torno de R$ 600 mil.
enviada por Sakamoto



25/09/2008 21:16

Explicando a Crise Americana

Muito bom o texto publicado no portal administradores.com.br e que está circulando na internet para explicar a crise financeira nos Estados Unidos. Saem hipotecas de casas e entram dívidas de bar, mas a idéia é a mesma. Lembrando, é claro, que a contabilidade de um boteco é mais responsável e transparente do que a de muitos bancos e instituições financeiras de lá. Vale a leitura:

O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capítais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BMF, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.

enviada por Sakamoto



25/09/2008 10:31

Expansão de agrocombustíveis ameaça pequenas comunidades

Desmatamento na Amazônia e no Cerrado, contaminação por agrotóxicos, ameaça à soberania alimentar de pequenos agricultores e concentração de renda e da terra e são alguns dos impactos causados pela expansão de culturas que podem ser usadas para a produção de biodiesel no Brasil. Em “O Brasil dos Agrocombustíveis – Palmáceas, Algodão, Milho e Pinhão-Manso – 2008”, , a ONG Repórter Brasil relata projetos de expansão dessas culturas instalados ou em andamento, como é o caso do dendê, na Amazônia, e do algodão, nas áreas de Cerrado das regiões Centro-Oeste e Nordeste.

No caso do dendê, uma das maiores preocupações é com as propostas de mudança no Código Florestal, que visa mpermitir a recuperação de reservas legais com espécies exóticas como o dendê. Tais medidas podem incentivar a monocultura na Amazônia, causando desmatamento etrazendo impactos para a biodiversidade da floresta. Corporações estrangeiras começam a implantar projetos na região, como o caso da empresa Felda, da Malásia, no município de Tefé (AM), e da Biopalma, de capital canadense, no Pará. Além do dendê, outra palmácea analisada pelo relatório é o babaçu.

Já o algodão avança sobre as áreas de Cerrado, que não contam com sistema de monitoramento por satélite específico como a Amazônia. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, estão em risco pelomenos seis áreas de alta biodiversidade do Cerrado diante do crescimento das lavouras de algodão. No caso de impactos trabalhistas, cinco fazendas da cultura estão na “lista suja” do trabalho escravo divulgada pelo governo, e 431 trabalhadores escravos foram libertados nessas áreas.

O milho não é utilizado para a produção decombustível no país, mas seu uso nos EUA para a fabricação de etanol explica o avanço da área plantada da cultura na última safra. Essa expansão, porém, temameaçado a manutenção de práticas tradicionais de cultivo, sufocando espécies crioulas do grão existentes no Brasil. Esse impacto deve se intensificar com aliberação recente de sementes transgênicas de milho.

Este é o segundo relatório da série produzida pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis da ONG RepórterBrasil. O primeiro, lançado em abril deste ano, analisou os impactos causados pela soja e pela mamona. O próximo, exclusivamente sobre cana-de-açúcar, será lançado em dezembro próximo.

Para a realização deste trabalho, quatro pesquisadores da ONG Repórter Brasil percorreram 11 Estados brasileiros – Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais,Bahia, Pará, Amazonas, Maranhão e Tocantins – e um total de 25 mil km.
enviada por Sakamoto



24/09/2008 17:25

Dicas de pensamento para Homer Simpson

Washington - No começo, achei que era piada. Mas depois me disseram que não.

As estações de metrô da cidade são um campo de batalha de grupos lobistas em busca de apoio ou justificando suas ações. Uma vez que quase todo mundo passa pelo metrô, inclusive os formadores de opinião, tomadores de decisões e construtores de políticas públicas, é um local perfeito para guerrear por corações e mentes.

Pessoas, grupos e instituições têm o direito de expor suas idéias e tentar convencer os demais a adotar os mesmos ideais. Mas quando você vê peças publicitárias apelando, distorcendo, acochambrando, simplificando a ponto de virar má fé para tentar conquistar o transeunte, dá tristeza. E o resultado consegue ser pior do que aqueles comerciais bizarros da associação de emissoras de rádio e TV no Brasil dizendo que as rádios comunitárias interferem na comunicação de aviões.

Um amigo que mora aqui na cidade diz que ele mesmo se surpreendeu com as placas no metrô. Sobre o nível da publicidade e a resposta do público sobre elas, suspira: "O cidadão médio americano está emburrecendo..."

Tirei fotos de algumas para vocês terem uma idéia:

Tentando convencer a sociedade que a bebida não provoca tantos acidentes de carro:



"Você pensa que sabe qual a maior ameaça à segurança no tráfego?", pergunta o cartaz. Ele mostra um graficozinho picareta com uma curva ascendente de acidentes "sem álcool" e uma vida descendente de acidente com álcool. Depois afirma que a distração ao voltante e alta velocidade podem ser mais perigosas que o álcool. E pede para o leitor pensar de novo.

Picareta porque o gráfico não diz nada. Se houve uma redução no número de acidentes com pessoas alcoolizadas devido a um endurecimento da lei (aqui, dirigir bêbado dá cana - sem trocadilhos), é claro que haverá diminuição proporcional. Ou seja, menos gente morrendo de um jeito vai aumentar a porcentagem da outra forma de morrer. Outra: cadê a fonte da informação? Qualquer Zé Mané pode ter inventado os dados. E, por fim, um cartaz que defenda beber e dirigir é o fim da picada! Você pode questionar a rigidez de determinadas legislações, mas creio que só os babacas - e algumas empresas que lucram com isso - defendem que se possa dirigir bêbado.

Seguem outros exemplos:

Defendendo o direito de usar animais em testes de laboratório, prática que vem sendo contestada cada vez mais por grupos de médicos e da sociedade civil:



Tentando jogar os empregados contra os sindicatos que os representam, afirmando que não existe mais a polarização sindicatos/empregadores e sim sindicatos/empregados:



Defendendo o direito de se entupir de porcaria até morrer:



Sobre a ação do lobby nos Estados Unidos sugiro a comédia "Obrigado por fumar", filme de Jason Reitman, baseado em livro de Christopher Buckley.
enviada por Sakamoto






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Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).


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