14/07/2008 17:50

O midiático ministro, a madeira e a multinacional

O ministro do meio ambiente Carlos Minc é midiático demais... Ele acaba de assinar um termo de compromisso com a Vale em que a empresa se compromete a vender minério de ferro apenas para os seus clientes que comprovem a legalidade da extração da madeira e do carvão vegetal usados em suas cadeias produtivas.

Não custa lembrar que isso é chover no molhado. No ano passado, a Vale, após ser pressionada por organizações da sociedade civil e pela mídia nacional e internacional, já havia divulgado essas mesma medidas, tanto para questões ligadas a desmatamento quanto para questões sociais, como trabalho escravo. Guseiras ficaram sem conseguir comprar minério da empresa por conta disso. Por exemplo, em outubro de 2007, quatro siderúrgicas deixaram de receber da Vale. Deu na mídia, é só dar um Google.

Agora, Minc lança uma ação que já estava em andamento. Não seria melhor lançar instrumentos de controle e monitoramento desse termo? A “lista suja” do desmatamento que nasceu neste ano, da mesma forma que sua irmã mais velha, a “lista suja” do trabalho escravo, que nasceu em 2003, são ótimas ferramentas de referência para corte de crédito e de relações comerciais. Portanto, seria mais útil se o ministro firmasse com a Vale um termo para que ela abrisse seus arquivos, comprovando que deixou de comprar de determinadas empresas. Ou pedir para que a Receita Federal do Brasil torne público o relacionamento comercial entre desmatadores e o capital.

Para a Vale, esse tipo de mídia é bom e de graça. Ela não apresenta nada de novo e ainda ganha pontos através de um discurso de felicitações vindo de um ministro de Estado. Em um momento em que a empresa é pressionada pelo Incra e por movimentos sociais por ter invadido áreas de assentamentos para produzir níquel, o evento foi lucro. Pago por todos nós, que bancamos o salário do ministro Minc.
enviada por Sakamoto






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Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).


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