04/05/2008 19:00

E o Palmeiras massacrou a Ponte Preta

Poooooooorco! - Ganhamos um Campeonato Paulista após 11 anos (seria 12 se não levássemos este). No princípio, achei que ia ser mais difícil, influenciado pelo bando de abutres que fizeram previsões catastrofistas ao longo da semana – ainda mais depois da nossa derrota acachapante para o Sport. Por mais que este time seja bem melhor que o de 1986, carrego sempre aquele trauma de decisão diante de time pequeno do interior criado pela Inter de Limeira.



As fotos não estão lá grande coisa e o texto também pois ambos foram feitos do celular no meio de uma turba verde e branca.

Depois de uma hora na fila (um sussurro de espera se comparado com os anos de jejum), conseguimos entrar no Parque Antarctica. O jogo já havia começado, mas deu para pegar os 2 a 0. Na nossa frente, na arquibancada, o grande Veloso, que deu alegria no gol do Palmeiras na década de 90, era ovacionado pela torcida. O cara merecia ser mais lembrado, mas o problema é que o maior goleiro da história do Palmeiras continua na ativa.





Atrás de nós, uma pré-adolescente só tinha três palavras em seu vocabulário estridente: “sai”, “vai” e “chuta”. Houve chutes, é claro, independente da gritaria. No segundo tempo, Valdívia lascou um golaço, limpando a zaga da Ponte Preta na intermediária, chutando direto, para a tristeza do goleiro Aranha e para calar a boca daqueles que dizem que ele amarelava em decisões. Os quase 28 mil torcedores (ok, faz de conta que eu acredito que só tinha isso de pagantes) ainda viram o time completar cinco antes da volta olímpica.

É apenas um Paulista, mas aguardem: este ano será verde.



PS: Nada pode ser perfeito. Durante o jogo, houve dois momentos de tensão com a polícia militar, que fazia a segurança do jogo: uma com a torcida da Ponte e outra com a do Palmeiras, no meio da Mancha Verde. A confusão maior se deu na saída, com torcedores que assistiram o jogo do lado de fora querendo entrar para comemorar. Por sorte, saímos antes de começarem a lançar pedras e paus na polícia. Mas a culpa não é só de um grupo de torcedores extremamente imbecis. A PM revidou com truculência indiscriminada, atingindo quem não tinha nada a ver com a história, como mulheres e crianças. Pelo o que fiquei sabendo no momento, o ambulatório do Palmeiras ficou cheio com o pessoal ferido na confusão.

Isso mostra que o clube precisa melhorar - e muito - sua estrutura para receber jogos importantes como esse no seu campo. E que a polícia de São Paulo continua tendo em suas fileiras gente despreparada para lidar com o povo.

Quanto ao Palmeiras, se ele quer ampliar o estádio e torná-lo apto a concorrer a uma das sedes da Copa de 2014 precisa mostrar, desde já, que consegue controlar sua arena.
enviada por Sakamoto






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Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).


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