19/04/2008 20:04

Mande uma banana para quem tem medo de concorrência

Estão cada vez mais ridículas as campanhas contra as rádios irregulares movidas por associações de empresas do setor. Umas das mais recentes é a de um pastor pregando a seus fiéis de que eles não precisam delas para rezar (será isso reserva de mercado para os bispos midiáticos?).

É claro que há muita rádio pirata que só serve para encher o bolso de picareta. Mas eles colocam no mesmo bolo, propositadamente, rádios comunitárias, de baixa potência, que democratizam a comunicação e são um importante instrumento de cidadania, para populações que vivem à margem dos benefícios desse berço esplêndido. Colocam pânico na população, dizendo que as rádios são capazes de derrubar aviões e interferir no trabalho da polícia - o que é ridículo.

Pedem para a população ser "consciente" e não ouvir rádios comunitárias. Felizmente, falam para o vazio, pois poucos dão bola a esse chamado. Então, como maus perdedores, apelam para leis construídas de forma bizarra em tempos arcaicos e usam a polícia para tomar transmissores e calar essas vozes. Isso sem contar a porrada e o abuso de autoridade que rolam no momento do rapa policial.

Há um forte movimento para legalizar e ampliar as emissoras comunitárias por todo o país, mas o apoio técnico, legal e financeiro a iniciativas populares nessa área é risível. Qualquer esfera de governo está mais interessada em aportar recursos em veículos privados (pagando dívidas de campanha) ou estatais.

Quando digo populares são populares mesmo, lá da base, do chão de terra ou da viela da favela. Não estou falando de agências que se intitulam livres, alternativas ou independentes e que, apesar de conectados com movimentos sociais, são produzidos por profissionais de comunicação, como a Carta Maior, a própria Repórter Brasil, entre outros. Nós precisamos de apoio também, mas eu coloco os comunicadores populares como prioridade. Eles são mais importantes que todos nós.

A briga promete ser bem longa, pois o que acabo de dizer não é consenso nem entre progressistas, quem dirá entre os conservadores.

Por isso, se você conhece alguma rádio comunitária, escute, divulgue, recomende, participe. Exerça sua cidadania, disparando sua voz. A participação em muitas dessas rádios é livre e gratuita, você pode montar seu próprio programa, independente do que você pense.

Mande uma banana a quem não quer que você tenha um ouvido plural.
enviada por Sakamoto






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Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).


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