13/04/2008 08:05

Denúncia alerta para massacre de camponeses em Rondônia

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) está distribuindo uma nota pública em que denuncia que na manhã da última quarta (9), policiais e jagunços armados e encapuzados invadiram o acampamento Conquista da União, localizado no km 140 da BR-421, em Campo Novo (RO), e atiraram nos sem-terra. De acordo com a LCP, um camponês que conseguiu escapar informou que cerca de 15 pessoas, incluindo uma mulher grávida, foram assassinadas e outras tomadas como reféns. Bens e veículos teriam sido queimados.

Segue um trecho da nota:

A LCP vinha denunciando, há várias semanas, a preparação de um massacre de camponeses sem-terra naquela região do estado.Toda a campanha orquestrada pela grande imprensa de Rondônia e do país, em especial o jornal Folha de Rondonia e a revista Istoé , em que acusava a LCP e os camponeses daquela região de ser “guerrilheiros” , "ligados as Farc" etc, sendo que esses mesmos órgãos de imprensa apresentavam os pistoleiros dos latifundiários como "trabalhadores".Tudo isso era para tentar justificar este massacre que estava em adiantada preparação conforme denunciamos inúmeras vezes. Esta imprensa é culpada pelo sangue derramado destes camponeses.

Tão logo ocorreu o massacre ligamos para a Policia Federal que disse apenas que isso não era de sua jurisdição e não podia fazer nada.O secretário de segurança pública César Pizzano disse que para ir no local onde estavam os mortos "precisava de um boletim de ocorrência primeiro" (?!!). Isso mostra a cumplícidade destes orgãos neste massacre sendo que os mesmos há pouco também acusavam os camponeses de "guerrilheiros".

enviada por Sakamoto






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Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).


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