09/04/2008 16:21

“Isto é” manipula imagem em prol de Serra

Mexer em fotos e textos não são novidade no jornalismo. Joga-se a ética no ralo em uma ofensa clara ao leitor para defender posições pessoais ou corporativas. O último caso - de uma extensa lista de vergonhas - está circulando na internet há alguns dias, levantado pela Agência Brasil de Fato.

A expressão “Fora Serra” foi apagada de uma foto feita durante um protesto do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) contra a privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). A venda do controle da companhia está na pauta do governo Serra

A versão maquiada (porcamente, diga-se de passagem) aparece em uma reportagem da revista “Isto é”. No texto, os movimentos sociais são criticados por atrapalhar o suposto desenvolvimento trazido por empresas do setor agropecuário. A foto original pertence ao jornal Folha de S. Paulo.

Fica a pergunta: se a foto foi claramente distorcida, como confiar no texto?




Abaixo, o texto publicado pela Folha, no dia 10 de abril:

A revista IstoÉ, publicação da Editora Três, adulterou uma fotografia adquirida da Folha. A imagem foi publicada pela revista na edição do final de semana, ao lado da reportagem "O MST contra o desenvolvimento".

A revista apagou digitalmente a expressão "Fora Serra", referência ao governador José Serra (PSDB-SP). A frase aparecia, na foto original, pichada numa placa de trânsito por integrantes do MST na rodovia Arlindo Bétio, que liga SP a MS e PR. Eles participavam de um ato contra a privatização da Cesp (Companhia Energética do Estado de São Paulo).

Em e-mail enviado ontem à Folhapress, agência de notícias do Grupo Folha, o editor-executivo da agência IstoÉ, César Itiberê, confirmou a adulteração e pediu desculpas. "Houve realmente manipulação por photoshop [programa de computador] da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética." Ele afirmou, por telefone, que "não houve nenhuma ordem [superior], nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido".


enviada por Sakamoto






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Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).


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