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07/03/2008 15:58 Quem diria! Bill veio explorar trabalhadores por aqui Muita gente graúda lá de fora está investindo no etanol brasileiro. Trazem o capital, mas, não raro, utilizam um padrão de exploração de mão-de-obra nacional que não respeita a lei. Uma ótima mistura que vem dando certo há séculos e rende ótimos lucros em vários setores - da mineração à prestação de serviços telefônicos. Quem disse que a história não é cíclica? No Brasil Colônia, os investimentos dos banqueiros europeus na produção de açúcar por aqui usavam o mesmo expediente... Deu na Repórter Brasil: Uma operação de fiscalização do governo federal encontrou graves problemas trabalhistas em usina da Brazil Renewable Energy Company (Brenco), em Goiás, comandada pelo ex-presidente da Petrobras, Henri Phillipe Reischtul. Ela tem, entre os sócios, o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, James Wolfensohn, ex-presidente do Banco Mundial, Steve Case, ex-America On Line (AOL)-Time Warner, e Vinod Khosla, multimilionário indiano radicado nos Estados Unidos que criou a Sun Microsystems. A Brenco está cultivando a sua primeira safra. Criada em 2007, possui cinco usinas em funcionamento com capacidade de produção de 3,8 bilhões de litros de etanol/ano. Está construindo outras cinco - todas na região de fronteira entre os estados Goiás, Matos Grosso e Mato Grosso do Sul. A empresa anuncia em seu site que será uma das maiores do mundo no ramo até 2015. Além da situação precária dos alojamentos (gostaria de ver alguém que acha que isso não é problema dormindo em um local fedido e com ratos), não havia atendimento médico e alguns trabalhadores que estavam com problemas para receber devido à falta de documentos e passavam fome. "Não há transporte regular ou possibilidade de comunicação. Os trabalhadores estavam desesperados para falar com suas famílias", explicou a coordenadora da ação. Para ler a matéria da Repórter Brasil, clique aqui. PS: No ano em que o etanol brasileiro virou vedete internacional devido à busca por alternativas ao petróleo, o país bateu o recorde de libertações de escravos em fazendas de cana-de-açúcar. Mas, como era de se esperar, o sucesso econômico ficou na mão de poucos e não se traduziu em melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. Pelo contrário, mais da metade dos 5.973 libertados da escravidão pelo governo federal em 2007, mais da metade estava em atividades ligadas à cana-de-açúcar em Estados como Pará, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. A cana está se esparramando pelo Cerrado, incluindo a bacia do Pantanal, e chegando até a Amazônia. Em busca de custos de produção mais baratos... enviada por Sakamoto Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?) |
Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae). ![]()
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