08/01/2008 12:02

Quem defende os bancos defende os trabalhadores?

Tem sido bizarro o ataque incondicional ao aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, cobrado de bancos e instituições financeiras, por alguns deputados e senadores. Buscam subterfúgios para alegar a ilegalidade do aumento e até ameaçam os consumidores, afirmando que esse aumento será repassado pelos bancos aos clientes.

Não explicam que os bancos são os que mais têm ganhado dinheiro nos últimos anos, “como nunca na história desse país” – para usar uma frase valiosa ao presidente da República. Bilhões e bilhões em cima de juros, especulações, enfim, nada que se compare aos R$ 2 bi que terão que pagar com o aumento da CSLL. Se os bancos repassarem isso aos seus clientes, será muita canalhice.

Na minha opinião, esse aumento foi até tímido.

Sugestão para quem acompanha o comportamento dos seus representantes: entre no site do Tribunal Superior Eleitoral (www.tse.gov.br), clique em Eleições, depois em Prestação de Contas. E verifique se o seu parlamentar recebeu doações de bancos. Depois compare com o seu comportamento nos últimos dias com relação à CSLL. Receber uma doação não significa aceitar de pronto o que uma empresa sugere/manda. Mas é um indício para ficarmos de olho.

Em verdade, nessa dicussão de impostos, foram poucos os que, na situação ou na oposição, pensaram no país e não em interesses políticos e/ou econômicos. Por exemplo, acabaram com a CPMF, mas prorrogaram a Desvinculação das Receitas da União (DRU), um instrumento que permite ao governo federal remanejar parte do orçamento sem necessidade de autorização, tirando de áreas essenciais como educação e saúde. Ele tem sido usado para aumentar a quantidade de dinheiro disponível para pagamento de dívidas do Estado, fazendo a festa de instituições financeiras nacionais e internacionais.

Há leis que prevêem cobranças de impostos interessantes - sobre grandes fortunas ou heranças - que estão empacadas no Congresso. Elas poderiam tornar desnecessários aumentos no IOF, a CPMF, entre outros. Mas alguém acredita que num Congresso com muitos políticos subordinados ao capital (e uma forte "Bancada dos Bancos") isso acontecerá?
enviada por Sakamoto






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Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).


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