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28/12/2007 01:46 Para saber um pouco mais sobre o Paquistão A ex-primeira ministra do Paquistão Benazir Bhutto foi assassinada, nesta quinta (27), em um atentado ocorrido durante uma manifestação em Rawalpindi, cidade colada à capital Islamabad. Bhutto liderava as pesquisas de intenção de voto para as eleições legislativas previstas para o início de janeiro. Há meses, o Paquistão é palco de uma série de atentados. A autoria nem sempre é identificada, mas é injustiça deixar os grupos extremistas islâmicos levarem toda a culpa, uma vez que há indícios de participação de grupos pró e contra o ditador Pervez Musharraf. A morte de Bhutto pode ser um vetor de união da oposição paquistanesa - e de profundo desgaste (dentro e fora do país) para o governo. O que vai acontecer agora no Paquistão - guerra civil, mudanças no governo ou manutenção da situação atual - só Alá sabe. Mas tendo em vista as fortes tensões naquele que é considerado, hoje, o local mais perigoso do mundo, o sangue dela não será o último a ser derramado. Não vou entrar na discussão factual - neste momento, todos os sites de notícia do mundo já estão cumprindo esse papel. Mas para ajudar o leitor a conhecer um pouco mais o Paquistão trouxe de volta para o blog meus relatos de viagem àquele país. Viajei ao Paquistão, Sul da Ásia, em agosto, para uma visita a projetos de combate ao trabalho forçado desenvolvidos por organizações da sociedade civil. Estimativas apontam que há pelo menos um milhão de trabalhadores nessas condições por lá, devido a uma antiga prática de endividamento denominada peshgi: pessoas pobres tomam dinheiro ou mantimentos emprestados de proprietários rurais, empenhando o próprio trabalho e de sua família como garantia. Essa forma de exploração foi declarada ilegal em 1992, mas a sua erradicação ainda está longe de acontecer devido ao interesse da manutenção da situação pelos poderosos senhores de terra e a falta de empenho dos governos central e locais. Vocês vão encontrar neste espaço minhas impressões e as do meu companheiro de viagem por esse país, Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra, não apenas sobre os escravos do Paquistão, mas também sobre seu povo, cultura, política e religião. Verão o quanto eles estão distantes e próximos de nós brasileiros. Do último para o primeiro dia: De volta para casa Dizem que há um forte esquema de segurança para o vôo entre Islamabad e Londres, que seria um dos mais visados do mundo por conta do medo de atentados terroristas contra o principal aliado... O comércio de órgãos humanos Uns tempos atrás, circulava por São Paulo uma lenda urbana em que uma pessoa atraente oferecia uma bebida em uma balada e depois sugeria uma noite em um motel. Chegando no local, o desavisado capotava... O pão nosso de cada dia Faz 10 dias que eu não bebo. Antes de me darem os parabéns, não sou alcoólatra, longe disso. É claro que não nego uma cerveja no final do expediente com os amigos. Mas estou em abstinência forçada, sofrendo um processo... Senhores do corpo e da alma Raul Júlia não morreu. Mudou-se para o Paquistão. Rodando pelas estradas do Sul do país, me deparei a todo o momento com cartazes e painéis com a foto desse senhor que é a cara do finado ator... Sob o chicote, no meio do deserto Eu havia conseguido um lugar para acesso (precário) à internet em uma cidade no meio do deserto, ou seja, o mais difícil. Mas quando comecei a escrever o post de ontem, a eletricidade do local foi desligada. Os... É um camelo ou um dromedário? Eu aposto que isso é um dromedário. Discuti com meu companheiro de viagem, Xavier Plassat, a diferença entre camelos e dromedários. Que eu me lembre (do conhecimento adquirido através... Diarios do Paquistão: crianças Uma das idéias religiosas que mais me incomodou desde quando eu era criança era o pecado original. Por que temos que pagar pelas faltas daqueles que vieram antes de nós? Por que crianças devem sofrer pelo o que seus pais fizeram? Pior... Um domingo de Deus e Alá Apesar de predominantemente muçulmano, há outras religiões no Paquistão, funcionando legalmente. Hoje, pela manhã, fomos à igreja de Saint Thomas, para assistir à missa em urdu, língua oficial do país, ao lado do inglês... Islamabad Uma cidade planejada, de avenidas largas e prédios públicos monumentais, foi contruída no interior do país, substituindo a antiga capital que ficava à beira-mar. O objetivo era promover a integração do país, facilitando... Cara de terrorista Gostaria de fazer um pequeno flash back para contar algo pitoresco. No caminho para cá, fui impedido de entrar na Inglaterra. "Por que e para que o senhor está indo para o Paquistão?; Que interesse teria... Mulheres No Paquistão, as mulheres têm poucos direitos. Logo no aeroporto de Islamabad, na verificação de passaportes, além de filas para estrangeiros, diplomatas e naturais do país, há outra para crianças e MULHERES desacompanhadas... Vizinhos da Mesquita Vermelha Há dois dias, o Paquistão e a Índia comemoraram os 60 anos de sua independência da Inglaterra. Mas, apesar das festividades nas ruas, o clima ainda é de tensão por aqui. Nos últimos meses, cresceu a oposiçao... O trabalho forçado neste lado do mundo Cheguei hoje ao Paquistão, no Sudoeste da Ásia, para uma visita de nove dias a projetos de combate e prevenção ao trabalho forçado desenvolvidos por organizações da sociedade civil. O convite foi feito pela... enviada por Sakamoto Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?) |
Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae). ![]()
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