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08/11/2007 14:28 Da capital do Império - Parte 3 Washington - O inglês é uma língua mais sintética que o português. Ou seja, você consegue passar a mesma idéia com menos palavras. Em Washington, às vezes nem palavras são necessárias para sintetizar. Sabe aquele ditado de que uma imagem vale por mil palavras? Visitei o Departamento de Estado e o Departamento de Trabalho (equivalente aos ministérios de Relações Exteriores e do Trabalho e Emprego no Brasil) para algumas reuniões. Na entrada deste último, há duas fotos gigantes do presidente e do vice-presidente na parede, meio que saudando os visitantes. Bush Jr. está com a cara de Bush Jr., ou seja, de nada - lembrando como sempre Alfred E. Neumann, mascote das revistas Mad. Não parece que está pensando em muita coisa talvez em um pretzel, como aquele com o qual ele se engasgou tempos atrás. Do seu lado, Dick Cheney, o vice, sobrancelha levantada, aquele olhar safado de estar fazendo alguma coisa errada e ao contrário do supremo mandatário com o jeito de que está pensando em algo que envolve dinheiro e poder. Em duas fotos, o resumo do atual mandato: um presidente fraco, mas que representa e é sustentado por raposas ultraconservadoras da política e por grupos econômicos ligados ao petróleo e à indústria da guerra. (Não pude tirar a foto das fotos por questões de segurança...) A campanha já estás nas ruas, com os nomes dos democratas Barack Obama e Hillary Clinton rodando na mídia, para bem ou para mal. Há adesivos de Cheney08 em parachoques de automóveis utilitários SUVs e circulação do nome do ex-prefeito republicano de Nova Iorque, Rudolph Giuliani. Mas, em menor número, por exemplo, que as camisetas sendo vendidas em lojinhas com os dizeres: Amo meu país e não tenho culpa por esse governo ou 20.01.09 Bushs Last Day. Há chaveiros que trazem um mostrador com a contagem regressiva para o prazo de validade do atual governo sendo vendidos em banquinhas.
Comprei um adesivo com a idéia da camiseta. Taí. Peguei uma van com um cara que estava indo morar em Las Vegas para trabalhar na campanha de Hillary. Disse que a eleição seria decidida nas primárias (quando os partidos democrata e republicano escolhem seus candidatos) e que se os democratas perdessem com esse governo que está aí, estariam perdendo para eles mesmos. Considerando que o índice de popularidade de Bush anda baixo, por questões econômicas internas e dos atoleiros da invasão do Iraque e do Afeganistão, vai ser difícil ele eleger um sucessor. Nas ruas da capital, tomada por um governo republicano, há evidências disso. Encontrei em um calçada uma caixa transparente gigante, com centenas de sapatinhos, cada qual com uma etiqueta com o nome de uma criança que morreu devido à guerra no Iraque. ![]() A iniciativa é da ONG Code Pink, fundada por mulheres para lutar por paz e justiça social e pelo fim da guerra. Elas reivindicam aumento de recursos para saúde e educação, o fechamento do campo de concentração norte-americano de Guantánamo, a ajuda a Darfur, o fim da utilização de combustíveis fósseis. Exigem também que o presidente e seu vice sofram um processo de impeachment. Passo o link do site da ONG (em inglês). Dêem uma olhada, é bem interessante. Uma das conseqüências da "guerra" é o reforço de segurança nos prédios do executivo federal por aqui. Enquanto no Congresso você pode entrar e ir até a sala do seu representante para abraçá-lo ou criticá-lo, nos ministérios o negócio é diferente. Identidades, hora marcada com alguém, detectores, perguntas, esperas - enfim, o medo. Só não sei se é medo das hordas bárbaras de fora ou da reação do próprio povo americano. enviada por Sakamoto Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?) |
Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae). ![]()
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