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08/06/2007 20:09 Quem vale mais para o governador de Rondônia? Sabrina Craide e Eliane Gonçalves, repórteres da Agência Brasil, publicaram uma boa entrevista com Ivo Cassol. Meia dúzia de famílias não vão atrapalhar milhões, diz governador de Rondônia sobre usinas traz a síntese desse raciocínio bisonho que é justificar a agressão a alguns diante do benefício de muitos. Raciocínio que guia a ocupação da Amazônia, de Getúlio, passando por Juscelino e os senhores verde-oliva dos anos de chumbo, até chegar a FHC e Lula. Um dos únicos acertos de Cassol (que chama a hidroeletricidade de "energia limpa" provavelmente só porque ela não solta fumacinha) é jogar a responsabilidade no Centro-Sul. Afinal de contas, nós é que implantamos o modelo de desenvolvimento vigente na Amazônia ao longo do século 20 e, ainda hoje, mantemos firme e forte a pilhagem dos recursos naturais e da gente de lá. Puxei a pergunta que deu origem ao título: Como fazer com as pessoas que serão desabrigadas pelas barragens? Pode ter certeza de que desabrigado não tem. Não tem os das barragens não sei o que, isso é pura fanfarra. Se tiver algum pode tercerteza de que dentro do projeto já tem recurso alocado para ele se transferir com a sua moradia, com o seu conforto no mínimo mil vezes melhor. Se tiver meia dúzia de famílias, isso não vai atrapalhar milhões de pessoas que precisam dessa energia. [O estudo de impacto ambiental prevê que quatro comunidades serão afetadas; para o Ibama, serão seis.] É o povo brasileiro, o povo de Brasília, o povo do Rio, de São Paulo, dos grandes centros, que precisa dessa energia. Energia limpa. Fica uma dúvida: como governador de Rondônia ele deveria se preocupar mais com a gente que vive lá e votou nele do que com a qualidade de vida do Centro-Sul, não? Vale considerar que os empregos gerados em Rondônia serão temporários, mas o impacto permanente. Será que não seria de bom tom, portanto, agradecê-lo pelo imenso sacrifício de fazer o "serviço" para nós? enviada por Sakamoto Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?) |
Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae). ![]()
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