05/06/2007 09:25

Mostra em Paris traz luta brasileira contra escravidão

O documentário "Correntes", que mostra o dia-a-dia do combate à escravidão, estará na 3ª Mostra Brasil em Movimento, entre os dias 04 e 10 de junho em Paris. Este blog fez um ping-pong com o diretor Caio Cavechini:

Por que Correntes?
Correntes é o resultado de um impulso audiovisual na direção das parcerias e desafios enfrentados pelos novos abolicionistas. Quem denuncia e quem combate o trabalho escravo é também quem apresenta esse problema para os documentaristas. E deles vêm o principal recado: a necessidade de formação de uma teia, uma rede de ações... uma corrente. O nome representa mais duas discussões propostas pelo documentário: a escravidão por dívida (corrente simbólica) e a condição social das vítimas - a cadeia de acontecimentos que leva um trabalhador a condições desumanas de trabalho e sobre os quais se deve atuar.

O Brasil que você viu para fazer o documentário passa na TV?
Uma das primeiras vitórias da luta contra o trabalho escravo foi tornar o problema público e divulgá-lo. Uma denúncia bem sucedida depende do seu alcance. Hoje, o trabalho escravo é notícia. Talvez não com a frequência e profundidade que o tema exige. Mas as entidades que atuam nessa luta têm conseguido levar o problema à opinião pública. O Correntes é mais uma iniciativa nesse sentido, propondo relações e discussões mais aprofundadas, que nem sempre são possíveis dentro da dinâmica de um canal aberto, por exemplo. E, para não ser injusto, preciso lembrar que o próprio Correntes faz um registro de que a notícia está correndo... "a Federal tá em cima". Tem que continuar correndo.

Como é possível fazer documentário no Brasil e conseguir ser visto se você não tem grana, não é bem relacionado e não é herdeiro de banco?
Com a ajuda de muita gente boa, de amigos e de profissionais comprometidos e sensíveis. Sem a ajuda dos amigos, não teríamos câmera, por exemplo. Sem os parceiros, faltariam as passagens aéreas. Correntes foi feito do jeito que dava para ser feito, no sacrifício. Temas como esse exigem ações coletivas, como o próprio documentário propõe. E, depois de pronto, exige um trabalho dobrado, que é sair distribuindo DVDs por aí pra tentar fazer a discussão se espalhar. Mas não acho que tenha que ser assim sempre, no sacrifício. Incentivar a industria cinematográfica e a formação de profissionais capazes de propor novos olhares e discussões sobre a nossa realidade é fundamental para um país. E depois passa por um processo (ainda lento) de formação de público, de garimpar espaços para o documentário, fazer com que as pessoas assimilem um tempo e uma linguagem diferente.

Veja um trecho do documentário.
enviada por Sakamoto






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Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).


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