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08/06/2007 10:16 Biocombustíveis já aumentam preços dos alimentos, diz FAO A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou ontem um relatório apontando que o aumento na produção de biocombustíveis já está elevando os custos de importação de gêneros alimentícios. As conseqüências são imediatas: 2007 representará um aumento de 5% (chegando a 400 bilhões de dólares) com relação a 2006 nesse tipo de gasto. Os principais responsáveis por esse crescimento são cereais, como o milho, e óleos vegetais usados na produção de biocombustíveis. Os custos desses dois grupos puxarão a alta, crescendo 13%. O milho é a principal matéria-prima para a fabricação de etanol nos Estados Unidos. Com o aumento na demanda desse grão para a produção de biocombustível, o preço da commodity tem aumentado, inclusive nas prateleiras dos supermercados do México - que, mais uma vez, paga o preço de ser o vizinho pobre. Neste ano, a sua população, que tem o milho como base alimentar, já sentiu o impacto do desejo norte-americano por mais etanol. O estudo aponta que quem vai sofrer mais com isso são os países da periferia. Em 2007, eles gastaram 90% a mais com a importação de alimentos do que em 2000. Nos países do centro, o aumento foi de 22%. O presidente cubano Fidel Castro, que vem alertando que o aumento da produção de biocombustíveis irá levar à escassez de alimentos (e por isso é chamado de louco, inclusive pelo governo brasileiro), deve estar se sentindo vingado. Na prática, o que o estudo sugere é que vai haver bastante milho e cana para quem puder pagar por eles. O que inclui os proprietários de automóveis, que os colocam no tanque, e exclui a população pobre, que tenta colocá-los na barriga. Para ler os resultados do estudo Previsão dos Alimentos, em inglês, clique aqui. enviada por Sakamoto Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?) |
Leonardo Sakamoto é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae). ![]()
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